terça-feira, 19 de outubro de 2010

O iceberg comportamental - conclusão

Já introduzimos o modelo do iceberg comportamental e discutimos a primeira camada abaixo da superfície, que é a nossa percepção da realidade. Falemos então de camadas mais inferiores.


Alguns que leram meu post anterior devem ter dado pela falta do diagrama do iceberg comportamental. Eu havia esquecido de inseri-lo! Já corrigi isto no post anterior. Mas segue ele aqui de novo para não perdermos a noção do modelo inteiro. Já falamos sobre comportamento e percepção.


Abaixo da percepção temos as:


Expectativas:

Segue um interessante experimento realizado em um hospital psiquiátrico que ilustra o quanto a expectativa influencia nossa percepção:
Várias pessoas normais simularam certos desvios de comportamento a fim de serem internadas. Uma vez internadas, contaram que se tratava apenas de uma experiência acadêmica e passaram a ter um comportamento normal. Os psiquiatras não acreditaram na história e consideraram que os argumentos dos internados eram mais uma evidência de distúrbio mental. Simplesmente eles esperavam que aquelas pessoas tivessem algum distúrbio.

NÓS VEMOS O QUE ESPERAMOS VER
Nossos mecanismos de omissão, distorção e generalização levam em grande conta o que ansiamos por ver.

O seguinte teste realizado na Universidade de Harvard com alunos de uma escola primária.
Os alunos foram separados em 2 grupos aleatoriamente para evitar que níveis de inteligência e capacidades fossem usados como critérios de separação. Uma professora foi incumbida de desenvolver um programa com as duas turmas. Entretanto, ela foi informada de que a turma A era composta por alunos excelentes e a B por alunos problemáticos. Depois de certo tempo, testes de avaliação das duas turmas foram aplicados. Curiosamente, a turma A teve desempenho consideravelmente melhor que da turma B. Chama-se isso de Efeito Pigmalião.

TENTAMOS TRANSFORMAR EM REALIDADE AQUILO QUE ESPERAMOS SER A REALIDADE

Abaixo das expectativas temos as:

Emoções, sentimentos e desejos:

Se você perguntasse a alguém: “Que horas são?” e ele responde: “Pai Nosso, Ave Maria, etc” qual seria o seu comportamento?
Se for aquele amigo piadista que te respondeu talvez você fosse rir. Mas e se fosse alguém que você não gosta? E se naquele dia você está com pressa, muito preocupado com um compromisso? A mesma situação pode suscitar comportamentos diferentes em nós dependendo de nosso estado emocional.

EMOÇÕES DIFERENTES GERAM EXPECTATIVAS DIFERENTES.

Descendo mais fundo no iceberg comportamental temos:

Os metaprogramas:


 São padrões interiores, profundamente arraigados, que influenciam na formação do mapa mental (realidade percebida).
Vejamos exemplos de metaprogramas:

1 - Aproximação versus afastamento
Aproximação é a tendência de alguns em procurar fazer certo. Afastamento é a tendência de evitar erros. Alguns buscam prazer, outros fogem da dor. Por exemplo, os primeiros compram um carro priorizando é conforto, beleza, desempenho. Os últimos priorizam segurança, baixo consumo de combustível e pouca manutenção.

2 – Introvertidos x Extrovertidos
Introvertidos são voltados para seus interesses próprios enquanto extrovertidos são voltados para os outros, para os relacionamentos.

3 – Associadores x dissociadores
Pessoas associadoras procuram semelhanças e estão mais voltadas para o global. Dissociadores focam as diferenças e estão mais voltadas para os detalhes. O primeiro grupo vê a floresta e o segundo, as árvores. Se você entrega várias moedas aos associadores eles percebem que todas são redondas e tem duas faces (cara e coroa). Os dissociadores observaram os valores, insígnias, data de cunhagem, de cada uma delas.

Cuidado! Nenhum de nós adota “puramente” um metaprograma só e não devemos rotular pessoas! Modelos não devem ser ferramentas de preconceito e massificação das pessoas. São instrumentos de autoconhecimento e de percepção do nosso meio circundante.


Valores e crenças:

Na cultura japonesa, tira-se os sapatos para entrar em casa. Come-se no chão, dorme-se em esteiras no chão. O chão de casa é limpo para os japoneses. Na cultura americana, entra-se de sapatos em casa. Dorme-se em camas elevadas do chão e senta-se em cadeiras elevadas para comer. Se uma batata frita cair no chão, geralmente joga-se a mesma fora, pois o chão de casa é tido como sujo...
A crença de que o chão é sujo ou limpo é fruto da educação e das experiências no contexto cultural. Enquanto o americano valoriza uma cama alta, o japonês prefere a esteira. Valorizamos o que cremos ser o melhor e mais importante, independentemente da realidade objetiva. Afinal, o chão de casa é “sujo” ou não?

A PERCEPÇÃO E, CONSEQUENTEMENTE, O COMPORTAMENTO, REFLETEM NOSSOS VALORES E CRENÇAS.

E, por fim, no nível mais profundo do iceberg, estão as nossas:

Necessidades:

O ser humano age para satisfazer suas necessidades. Já abordamos a pirâmide das necessidades de Maslow  num post anterior. Uma coisa é identificar a necessidade e outra é saber como satisfazê-la. Entre a ação (comportamento) e a necessidade, passamos por este sinuoso caminho do iceberg comportamental.

AS NECESSIDADES SÃO AS GRANDES MOTIVADORAS DE NOSSOS COMPORTAMENTOS.

Acho que podemos e devemos ser uma influência positiva à mudança construtiva das pessoas em nosso redor. Entretanto, há pessoas que tentam impor padrões de comportamento às outras. É preciso ter consciência que se alguém muda seu comportamento sem mexer nos elementos mais profundos do iceberg comportamental torna-se um HIPÓCRITA! O ideal é que as boas mudanças nasçam primeiramente no âmago do indivíduo pela conscientização das verdadeiras necessidades, por uma readequação nas crenças e dos valores e pelo novo equilíbrio nos metaprogramas e no estado emocional. Tudo isso reflete-se na percepção da realidade e, conseqüentemente, no comportamento.

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniqüidade." (palavras de Jesus no evangelho de Mateus)

Se quiser saber mais sobre uma perspectiva cristã do processo de mudança comportamental, leia o post:
Hipócrita!

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Um comentário:

lion denis disse...

Que bacana esse pot. Gostei!

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