sábado, 16 de outubro de 2010

O iceberg comportamental

Tenho escrito alguns posts sobre comportamento.  Por que este assunto ocupa tanto minhas reflexões? A interação da humanidade se dá através do comportamento individual e coletivo. Entretanto, o comportamento é apenas a ponta de um iceberg grande e profundo no ser humano. O objetivo maior é levar-nos a refletir sobre nós mesmos e provocar o questionamento construtivo.

Porque ajo assim? Vale a pena agir assim? Há alternativa(s) melhor(es)? Esta e outras perguntas devem ser feitas para nós mesmos a fim de buscarmos mudanças positivas. Não acho que devamos ser pessoas acomodadas, fechadas à mudança. Se não mudamos por livre e espontânea vontade, mais cedo ou mais tarde teremos que fazê-lo por circunstâncias alheias à nossa vontade, tornando-se bem mais doloroso do que poderia ser.



Falemos então do iceberg comportamental. Um iceberg danificou o grande navio Titanic. A maior parte de um iceberg fica submersa e, portanto, invisível ao navio. É na parte submersa que se encontra a força do iceberg. O que apresento aqui é um modelo comportamental descrito no livro “Negociação Total” de José Augusto Wanderley. Sempre é bom lembrar que um modelo é uma simplificação da realidade para torná-la compreensível ao nosso cérebro. Já falei sobre isso no post “Questionando a maneira como vemos o mundo”. De momento, parece-me um modelo bem útil no processo de auto-conhecimento.


Antes de apresentar o modelo, cabem alguns esclarecimentos:
O comportamento é função de dois fatores: realidade externa (ambiente onde a pessoa se encontra) e realidade interna (aspectos não perceptíveis aos nossos 5 cinco sentidos que influenciam nosso comportamento). Um exemplo de como a realidade externa influencia nosso comportamento pode ser vista numa pesquisa sobre futebol . Descobriu-se que os níveis de testosterona (hormônio masculino) são mais levados quando um time joga em casa. Não é a toa que as estatísticas de um time são quase sempre mais favoráveis quando joga em casa. Nosso corpo percebe a noção de “meu território” e “território inimigo” e a resposta impacta no comportamento.

A realidade externa não é o foco deste modelo, que tem por objetivo esmiuçar a realidade interna. Vejamos um diagrama do modelo:


Percepção é o elemento principal do modelo que está mais próximo da superfície, ou melhor, daquilo que é visível: o comportamento. É importante compreender que há uma diferença entre realidade objetiva e realidade percebida. Para ilustrar, faremos uma brincadeira com os mapas abaixo:






O primeiro mapa é antigo e você vê claramente as limitações de tecnologia nas imperfeições do mapa. O segundo é uma foto de satélite bastante fiel à realidade.
Entretanto, olhando para o terceiro mapa, apesar de ser uma simplificação da foto de satélite é provável que ele evidencie melhor as diferenças de relevo. O segundo mapa tem informação demais e nosso cérebro filtra isso, extraindo apenas uma parte (talvez infiel) da realidade objetiva. O que sobrou é a realidade percebida. O terceiro mapa direciona nossa percepção para um aspecto da realidade objetiva que provavelmente não foi percebido no mapa anterior.

A REALIDADE OBJETIVA É O “TERRITÓRIO” E A REALIDADE PERCEBIDA É O “MAPA”.

Para qualquer realidade a nossa volta construímos um mapa em nossa mente. Se duas pessoas lado a lado assistem a um acidente, terão percepções diferentes do mesmo fato. Há três mecanismos que usamos na construção do mapa individual da realidade objetiva: omissão, distorção e generalização. Omitimos informações, sobretudo as que nos desagradam, distorcemos os fatos em razão de outros elementos do iceberg comportamental que discutiremos adiante, e generalizamos conclusões apressadamente, mesmo que sem consistência.

COMPORTAMOS-NOS DE ACORDO COM O MAPA E NÃO COM TERRITÓRIO

Se você estiver numa rua mal iluminada numa região tida como violenta e em sua direção vier outra pessoa que você suponha ser um assaltante, todo o seu organismo entrará em alerta injetando hormônios em sua corrente sanguínea. O coração bate mais forte e suas reações tornam-se mais rápidas. Não importa se o indivíduo é ou não um assaltante (realidade objetiva), seu comportamento foi influenciado pela sua percepção da realidade.

No próximo post continuaremos a detalhar os demais elementos do modelo.

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Um comentário:

André Santos disse...

certeza que percepção é algo formal na cultura organizacional ?????

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